sábado, 10 de janeiro de 2015

urbanização de Curitiba 1900 – 1940

   
à esquerda: Rua Fechada, 1868. fonte: Revista Illustração Paranaense. Curityba: anno III, n. 4, abr. 1929.
à direita: Rua 15 de Novembro, 1868. fonte: Revista Illustração Paranaense. Curityba: anno III, n. 4, abr. 1929.

Avenida Luiz Xavier, 1870. fonte: ROSA, Sá Barreto J. G. Curitiba. Curitiba: Habitat, 1954.

Vista de Curitiba, 1873. fonte: Centenário da Emancipação Política do Paraná. Curitiba: Camara de Expansão do Paraná, 1953.

1883
- inicia-se o transporte público urbano com bondes puxados à mula e começa a trafegar a primeira linha férrea da estação ferroviária até o Batel. Na década de 1890, são 20 carros operando em 18 km e, em 1903, prolonga-se até o Seminário.1

1891
- contratado o serviço telefônico.2

1892
- instala-se a primeira usina elétrica movida à vapor nas proximidades da estação ferroviária e atrás do Congresso Estadual.


Rua Riachuelo, 1898. fonte: ROSA, Sá Barreto J. G. Curitiba. Curitiba: Habitat, 1954.

1901
- inaugurada a primeira usina termelétrica na Avenida Capanema próxima à garagem ferroviária de Curitiba.

1902
- prefeitura é autorizada a contratar o melhoramento da iluminação da Rua 15 de Novembro, “com lampadas em arcos voltaicos”.3
- prefeitura procede “estudos topographicos e hydrograficos dos cursos d’agua na bacia da Capital” – para “futuro serviço de abastecimento d’agua e lavagens de esgotos n’esta cidade” – e “das quedas d’agua nas proximidades de Curytiba que possam ser transformadas suas energias em força electro-motriz”, assim como a “confecção das plantas, projectos e orçamentos relativos a todos os trabalhos.4
- aberta a concorrência para a realização do calçamento “com paralellepipedos e pelo systema já adoptado” das principais ruas e praças da cidade.5 Até setembro de 1904, são executados 32.080,74 m² de pavimentação e 7.371,01 m² de meio-fio.6


1903

Praça Eufrásio Correia, 1903. fonte: ROSA, Sá Barreto J. G. Curitiba. Curitiba: Habitat, 1954.
- é ampliado o quadro urbano7 que será mantido com pouquíssimas alterações até 19348. Nesta área, são realizadas, durante os primeiros 30 anos do século XX, as ações públicas de modernização e urbanização, como a definição e locação das redes de água e esgoto; o calçamento de vias; o sistema de transporte coletivo; a normatização construtiva e “aformoseamento” da cidade. Também se estabelece, dentro de tais limites, áreas com padrões construtivos diferenciados e mecanismos de controle de sua aplicação.
- utiliza-se, desde esta data, diversos tipos de árvores, entre os quais, espécies nativas como a erva-mate – principal fonte de riqueza do Estado – plantada nos canteiros centrais da Rua Barão do Rio Branco, via que liga a cidade à Estação Ferroviária e pela qual o produto chega ao Porto de Paranaguá. Nas demais ruas, havia as seguintes espécies: jacarandá, eucalipto, plátanos, catalpas, eugenias, thypoanas, cinamonos, camphoreiras, incensos e grevíleas, com mudas importadas do Jardim Botânico do Rio de Janeiro e reproduzidas no Horto Florestal de Curitiba.

Curitiba, em 1901, com a delimitação do quadro Urbano de 1903. fonte: Planta de Curityba – 1901 apresentada pelo Almanach Paranaense para o ano de 1900. Curityba, Correia & Comp. 1899; e Leis Municipais n.os 117/1903, 149/1905 e 177/1906.

1904
- o governo estadual autoriza o serviço de abastecimento d’agua e exgottos na cidade. Sistema constituído por represas, linhas adutoras, o Reservatório do Alto São Francisco, as redes de distribuição de água e de captação de esgotos e a ”installação bacteriana” para o tratamento de efluentes e posterior lançamento no Rio Belém.9

Tampa de poço de inspeção da rede de coleta de esgoto, datada de 1904, ainda existente na Praça Osório em Curitiba, 2012.

1905
- são implantados 45.812 m de rede de esgoto.10
- prorrogada concessão do serviço telefônico por mais 14 anos, para ampliação das linhas existentes e a modernização do serviço.11
- a prefeitura determina que as linhas da “Empresa Telephonica não tenham contacto com as da Illuminação Publica”.12 A preocupação em relação à fiação nas vias públicas também decorre de vários acidentes com munícipes, queimados por fios elétricos soltos, descascados e abaixo da altura estabelecida. A legislação procura contornar tais questões padronizando e estabelecendo a altura das diferentes redes e determinando a aprovação prévia da sua locação pelo engenheiro diretor de Obras Públicas Municipais.13

1907
   
à esquerda: Avenida Luiz Xavier, 1907. fonte: Revista Paraná. Anno I, n. 1. Curytiba, ago. 1907. [s.n.t.]
à direita: Vista do Alto São Francisco, 1907. fonte: Revista Paraná. Anno I, n. 1. Curytiba, ago. 1907. [s.n.t.]
  
à esquerda: Praça Tiradentes, 1907. fonte: Revista Paraná. Anno I, n. 1. Curytiba, ago. 1907. [s.n.t.]
à direita: Praça Tiradentes, 1907. fonte: Revista Paraná. Anno I, n. 3. Curytiba, out. 1907. [s.n.t.]

Vista da cidade a partir do Colégio da Divina Providência, 1907. fonte: Revista Paraná. Anno I, n. 2. Curytiba, set. 1907. [s.n.t.]
- o município assina o contrato para execução e entrega dos bonds electricos na capital e, em 1911, construir-se-á a primeira linha suburbana.14

1910
- é inaugurado o serviço de saneamento, composto pela rede de água e esgoto, e divide a cidade em cinco zonas com prazos diferenciados para ligação das casas e prédios à rede. A extensão total das redes de água e esgotos dentro do quadro urbano de Curitiba é de 63.024m e 51.567m, respectivamente15 – sendo este coletado apenas no centro da cidade.

1911
- prorrogado o contrato para ampliar as ligações interurbanas com Ponta Grossa, Araucária, São Jose, Campo Largo, Campina Grande e Colombo.

1912
   
à esquerda: Praça Tiradentes, 1912. fonte: Album do Paraná. Curityba: Livraria Econômica de Annibal Rocha & C., s. d.
à direita: Praça Tiradentes, 1912. fonte: Album do Paraná. Curityba: Livraria Econômica de Annibal Rocha & C., s. d.

Praça Tiradentes, 1912. fonte: Album do Paraná. Curityba: Livraria Econômica de Annibal Rocha & C., s. d.
   
à esquerda: Rua da Liberdade, 1912. fonte: Album do Paraná. Curityba: Livraria Econômica de Annibal Rocha & C., s. d.
à direita: Jardim Botânico, 1912. fonte: Album do Paraná. Curityba: Livraria Econômica de Annibal Rocha & C., s. d.
- existem 2.371 instalações domiciliares de água e esgotos para uma população de 45 mil habitantes, a região servida pelo saneamento contava com 3500 prédios, ou seja 1/3 deste total não estava conectado à rede, o volume de água potável produzido era insuficiente ocasionando sua falta nas partes altas da cidade (Batel, Alto da Rua 15 e Alto do São Francisco); e, o sistema de penas d’água (peça antecessora do hidrômetro que regula a entrada de água nas residências) tinha alta taxa de desperdício.16

1913
- é criada a “Commisão de Melhoramentos da Capital”, responsável pelo planejamento e execução da modernização da cidade.17
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Quadro Urbano e o Zoneamento de Curitiba, em 1914. fonte: Planta de Curityba – 1914 apresentada em LAMBERT, Egydio. O Guia Paranaense. Anno 1, n. 1. Curitiba, 1917; Leis Municipais n.os 117/1903, 177/1906 e 341/1912; e Acto Estadual n.° 4/1909.
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Infraestrutura de Curitiba, em 1914. fonte: Planta de Curityba – 1914 apresentada em LAMBERT, Egydio. O Guia Paranaense. Anno 1, n. 1. Curitiba, 1917; Leis Municipais n.os 117/1903, 177/1906 e 341/1912; e Acto Estadual n.° 4/1909.
A comparação entre os Mapas 1 e 2 revela, desde o início do século XX, os objetivos de hierarquização do espaço e de valorização da região central por intermédio da definição de padrões construtivos mais elaborados nas principais ruas da cidade (15 de Novembro e Liberdade) e na Praça Tiradentes juntamente a proibição da construção de casas de madeira no entorno. O zoneamento estabelecido em 1912 consolida tal ação, delimitando estes perímetros inseridos nas primeiras e segunda zonas, onde os padrões construtivos são mais rígidos e controlados. Comparando com os mapas atuais e ao de 1900 percebe-se que o aumento da malha urbana e o planejamento da expansão da cidade (em linhas tracejadas), foram mantidos. O crescimento mais expressivo ocorre ao longo das linhas suburbanas do Portão (sudoeste), Matadouro (sudeste) e Fontana (nordeste), evidenciando a influência da infraestrutura no desenvolvimento urbana.Há interesse do poder público em embelezar Curitiba, afinal “as capitaes representam o expoente maior do progresso dos paizes ou das circunscripções politicas de que são centro”. Inspirando-se nas intervenções no Rio de Janeiro e em São Paulo, Carlos Cavalcanti, presidente do Paraná, acredita que tais melhoramentos compensam
com rapidez e amplitude todos os onus e compromissos por ventura contrahidos para realizal-a, no desdobramento do commercio, no augmento da população e na entrada dos novos capitaes que invertem-se em obras de valor ou entram em circulação, creando serviços, animando industrias e irradiando-se por todo o territorio dependentes daquelles centros.18

Assim, as ações de embelezamento e melhoramento são múltiplas, abrangendo a intervenção física na cidade com o aprimoramento da infraestrutura; a remodelação e alargamento de praças e ruas centrais; a organização, regulamentação e taxação de diversas atividades, como a circulação de veículos, o transporte em carros de praças, o serviço de automóveis, o comércio de leite, o funcionamento de padarias e açougues;19 e o estímulo a construções mais elaboradas. A arquitetura, considerada elemento importante no processo de urbanização, é regulamentada com parâmetros mínimos a serem cumpridos, ao mesmo tempo em que são oferecidos prêmios quando elaborada artisticamente. A beleza, portanto, é uma virtude buscada pela cidade e pelos edifícios que a compõem.
- a Prefeitura lança um concurso com “dois prêmios, um de três contos e outro de dois contos de réis, [destinados] aos proprietarios que durante o anno de 1913 construirem respectivamente predios com as mais artisticas fachadas para casa de commercio e particulares”.20

1914
- ocorre: “a limpesa do rio Ivo Macadamização de uma área de 56.912,00 m²; recalçamento de 79.390,79 m²; confecção de passeios numa extensão de 7.308,49 m²; construcção de 5.440,77 m de boeiros; assentamento de 92 refugios centraes conveneintemente gradeados; trabalhos de terra-plenagem com um movimento de 78.887,04 m³; plantio de 617 arvores ornamentaes; fabricação de 6.488,26 m de meios fios de cimento, alem da canalisação dos rios em todas as travessas, retificação,dos rios Belem e Bigorrilho”.21
- “há 67 carros electricos sendo 26 automotores (ou seja, 38% da frota utiliza a força elétrica); e os trilhos cobriam a distancia de 27,17 quilômetros”.22
1914_tabela
fonte: Relatorio da Commissão de Melhoramentos de Coritiba, em 15 de abril de 1914. Annaes da Camara Municipal. Sessões de 15 de Outubro de 1913 á 24 de Julho de 1914. Coritiba: Typ. d’A Republica, 1914. p.136.
Concomitante à modernidade dos automóveis e bondes elétricos, continuava existindo o transporte de tração manual e animal, como se observa nos anúncios publicitários – “aluguel de aranha na Rua Desembargador Motta nº 38” e Casas de Pasto situadas na Praça Tiradentes n.° 37 e Rua Barão do Rio Branco, n.° 59 e 26 –, onde se pagava por dia e por animal.23 Também havia a entrega “Expresso”, cujos meios de transporte incluíam serviços com “carro de mão, a cavallo, a pé, carrocinha ou bicycleta e ainda carros especiais para mudanças, até para fora da capital, com registro na central de policia, no horario das 6 as 11 da noite durante a estação calmosa e até as 10:00h durante a invernosa”.24 Igualmente frequente era o aluguel de bicicletas nas ruas Barão do Serro Azul n.° 3, na Sete de setembro n.º 142 e na São Francisco n.º 45.25 As carroças para mudanças e viagens ficavam estacionadas nas praças Tiradentes, Santos Andrade e Zacarias, na Estada de Ferro e na Rua Comendador Araujo.26 Porém, os automóveis já se faziam presentes no transporte urbano, com os “carros de aluguel” em ponto de estacionamento na Praça Tiradentes, juntamente ao das carroças. A tabela do transporte de carros automotivos fixava o valor de 5$000 para a corrida sem taxímetro com até duas pessoas, no horário das 6:00h da tarde até a 1:00h da manhã; da 1:00h da manhã até às 6:00h da tarde, o custo era de 4$000, acrescendo 1$000 para cada pessoa a mais. Já os carros com taxímetro, cuja corrida atingisse até 1.600 m dentro do quadro urbano, cobravam 1$800 e para os arrabaldes e nas cercanias, acrescentava-se na primeira hora mais 1$000. Havia oito pontos para os carros de aluguel, com tabelas fixas e diferenciadas de acordo com o trajeto: “para tomar o trem, para enterro, ir a casamento, assistir ao theatro, para atender as festas dos clubes e para Canguiry, Florestal, Araucaria, Colombo e Capocú.27

1916
praca osorio_1916_1   praca osorio_1916_2
à esquerda:Praça Osório, 1916. fonte: Revista do Povo. Anno I, n.° 3. Coritiba, dezembro de 1916.
à direita: Praça Osório, 1916. fonte: Revista do Povo. Anno I, n.° 3. Coritiba, dezembro de 1916.
praca osorio_1916_3   reservatorio_1916
à esquerda: Praça Osório, 1916. fonte: Revista do Povo. Anno I, n.° 3. Coritiba, dezembro de 1916.
à direita: Vista do Reservatório do São Francisco, 1916. fonte: Revista do Povo. Anno I, n.° 3. Coritiba, dezembro de 1916.
avenida luiz xavier_1916   rua jose bonifacio_1916
à esquerda: Avenida Luiz Xavier, 1916. fonte: Revista do Povo. Anno I, n.° 3. Coritiba, dezembro de 1916.
à direita: Rua José Bonifácio, 1916. fonte: Revista do Povo. Anno I, n.° 3. Coritiba, dezembro de 1916.

1920
- “Actualmente existem 965 apparelhos em ligação com a Central, sendo 863 particulares, 80 em Repartições Publicas e 20 para o serviço da Empreza”.28
- 3.069 domicílios ligados à rede de água e 272 hidrômetros instalados.

1922
- “o nº de ligações de água e esgoto atingiu 3116, logo, mais de 50% dos prédios desta capital permanecem desprovidos desses melhoramentos, em grande parte devido a falta das canalizações nas ruas em que se acham situados”.29

1923
- circulam 2615 veículos, distribuídos em 183 automóveis entre particulares e do governo, 867 carroças de 4 rodas, 131 bicicletas 15 motos, 130 aranhas e 43 carros de praça.30
- as linhas de tráfico de bondes atingem 29,432 km de extensão:
Linha 1:Praça Tiradentes ao Matadouro Municipal com 5,190 km.
Linha 2: Rua Dr. Muricy ao Portão com 6,725 km.
Linha 3: Asilo até Rua America com 3,700 km.
Linha 4: Rua Buenos Ayres ao Juveve com 5,425 km. O material rodante é constituído de 26 carros motores, 16 carros reboque para passageiro e 3 carros motores com 12 reboques para diversas cargas.31 Terá as linhas ampliadas para 80,7 km32
- “aproximadamente 90.000 habitantes no município reclamam constantemente da falta de condução para as áreas da cidade em expansão”.33

1926
- rede de água e esgoto remodelada não cobre toda a extensão do quadro urbano.
mapa1_cap3
Infraestrutura Urbana de Curitiba, em 1930. fontes: Planta de Curityba – 1927. Acervo: Fundação Cultural de Curitiba; Planta Geral da Rede de Água e Esgotos de Curitiba – 1926. In: Relatorio do Secretario Geral d’Estado Alcides Munhoz, ao Presidente do Paraná Caetano Munhoz da Rocha, referente ao Exercicio Financeiro de 1925-1926, em 31 de dezembro de 1926. Curityba: Livraria Mundial França & Cia. Ltda., 1926, e Planta da Cidade de Curityba – 1935. Acervo: Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba.

1927
- “estão registrados 4.156 vehiculos: sendo 2281 vehiculos automóveis incluindo auto-caminhões e onnibus.”34

1928
- foi inaugurado o segundo reservatório de água no Batel.
- a cidade dispunha de “5 carros para executar a varredura das ruas, 18 carros para a coleta de lixo domiciliar, 14 carrinhos tipo lutocar e 1 caminhão de transporte para todo material. A Colleta do lixo ocorre diariamente até as 19h no período diurno, avançando até as 22h, nas áreas centrais da cidade, sendo o material recolhido depositado em fossas profundas nos terrenos próximos ao passeio Público.”35
1928_tabela

1929
panoramica_1   panoramica_2
à esquerda: Panorâmica de Curitiba. fonte: Exposição-Feira de Curityba. Curityba, novembro de 1929.
à direita: Panorâmica de Curitiba. fonte: Exposição-Feira de Curityba. Curityba, novembro de 1929.

1930
- população urbana: 100.000 habitantes,
- área do quadro urbano: 10.000.000 m.² ou 413 alqueires e 5.400.m².
- rios Barigui, Belém, Ivo, Agua-verde, Bigorrilho, Juvevê, Atuba, Iguassú. Passauna e Bacacheri.36
rua 15_1930_1   rua 15_1930_2
à esquerda: Rua 15 de Novembro.
fonte: Revista Illustração Paranaense. Curityba: anno IV, n. 3, mar. 1930.
à direita: Rua 15 de Novembro. fonte: Revista Illustração Paranaense. Curityba: anno IV, n. 3, mar. 1930.

1932
- bairros principais: Juveve, Bacacheri, Gloria, Batel, Portão, Agua-verde, Assungui, Bigorrilho, Mercês, Guabirotuba, Cajuru e Ahú.
- veículos para passageiros: 933 automóveis, 30 motocicletas, 112 aranhas, 38 chavetes, 10 faltons, 7 carros e 903 bicicletas, no total de 2033.
- para carga: 613 caminhões, 1029 carroças de 2 rodas com mola e 297 sem molas, 112 carroças de condução, 1100 carroças de 4 rodas coloniais e 57 carros de mão, no total de 2898.37
- companhias de venda de gasolina em bombas: instaladas com licença da prefeitura e de acordo com normas específicas: “Anglo Mexican Petroleum Company Ltd com 14 bombas, Standard Oil Company of Brazil com 8, Atlantic Refining Company Of Br com 7, The Texas com 3, Flavio Rangel com 1, no quadro urbano da capital.”38
- cerca de 3.000 apparelhos telephonicos com intercomunicações, 350 km de linhas de intercommunicação e moderníssimo apparelhamento para rápido serviço.39
- telegrama: taxa fixa ate 50 palavras é de hum mil reais a partir da Estação de Curityba.40
- prédios ligados a rede de água 5.361.
- extensão da rede de água 92.000 m.
- extensão da rede de esgoto 85.000 m.41
- esgoto da cidade escoado para o Rio Belém, juntamente com as águas fluviais.
- limpeza da cidade iniciada diariamente às 22:30h e no centro, mantida uma “turma de conservação de limpeza com os carrinhos ‘Lutocar’”42
- lixo coletado diariamente (volume de 70 m³) transportado por “auto-caminhoes apropriados.”
- lixo depositado “em locais afastados da zona povoada”, no arrabalde de Santa Quitéria.
- área calçada de 13.734 m²

1933
- área calçada de 18.310 m².43
praca tiradentes_1933
Praça Tiradentes, 1933. fonte: Revista Illustração Paranaense. Curityba: fev. 1933.

1934
- arborização: 10 mudas de Jacarandá, plantadas no jardim posterior da prefeitura municipal, 492 Tipoanas, nas ruas Visconde do Rio Branco, Comendador Araujo e Ébano Pereira, 927 Plátanos nas ruas Westephalen, Sete de Setembro, Brigadeiro Franco, André de Barros, Avenidas Graciosa e Visconde de Guarapuava, 185 Acácias44 nas Avenidas Iguaçu e Garibaldi.

1930 Requerimentos protocolados para diversas edificações demonstram o ritmo de crescimento, na construção civil.45
1932 | 353
1933 | 354 casas e 81 muros classe A, 29 passeios classe B e mais 387 reparos e aumentos.46
1934 | 370
1935 | 482
1936 | 562
1937 | 505
1938 | 429
1939 | 499
1940 | 614
1941 | 53947
mapa 35 com zona

1940
- limita-se com os municípios de Campo Largo, Cerro Azul, Bocaiuva, Piraquara, São José dos Pinhais e Araucária.48
- superfície 1.118 Km² distribuída pelos distritos:
de Curitiba 271 Km²
de Colombo 162 Km²
de Umbará 97 Km²
de Santa Felicidade 214 Km²
de Tamandaré 322 Km²
de Campo Comprido 52 Km²
- população do Município de Curitiba: 148.757 habitantes (Censo de 1940).49

1941
- calçamento a paralelepípedo 33.239,36 m²
- Curitiba completa seu primeiro milhão de m.² dos diversos tipos de pavimentação.
- passageiros transportados em ônibus no 2º semestre 5. 335.252
- passageiros transportados em bondes 9.138.544
- automóveis, 2047; caminhões 713; ónibus 182; motocicletas 256; carroças, charretes, bicicletas, carrinhos de mão 6.918.
- iluminação domiciliar 10.725
- prédios com esgoto 7.302
- prédios abastecidos com água 8.317

1942
- passageiros embarcados no aeroporto 2.251.50
- calçamento a paralelepípedo 50.491,81 m².51
mapa de 44 com zoneamento

Arrecadação municipal em 1936 |  Cr$ 6 milhões; em 1941, quase Cr$ 10 milhões; 1° semestre de 1942, Cr$ 6.700.821,50.52
1930 | Rs. 2.679:983$747
1931 | Rs. 3.216:547$539
1932 | Rs. 3.222:883$944
1933 | Rs. 3.903:396$514
1934 | Rs. 4.380:931$391

praca santos andrade_1947
Praça Santos Andrade, 1947. fonte: Revista A Divulgação. Ano I.  Curitiba: Velox Propagadora, nov. e dez. 1947.

1Lei Municipal n.° 102, 8 de janeiro de 1903. Leis, Decretos e Actos da Camara Municipal, 1902 a 1906. Curytiba: Officina de Artes Graphicas, 1906. p.71
2Lei Municipal n.° 151, 26 de outubro de 1905. Leis Decretos e Actos da Camara Municipal, 1902 a 1906. Curytiba: Officina de Artes Graphicas, 1906. p.12.
3Lei Municipal n.° 64, de 15 de janeiro de 1902. Leis, Decretos e Actos, 1902 a 1906. op. cit. p.13.
4Lei Municipal n.° 77, de 16 de abril de 1902. Leis Decretos e Actos da Camara Municipal, 1902 a 1906. Curytiba: Officina de Artes Graphicas, 1906. p.22-23.
5Lei Municipal n.° 84, de 10 de julho de 1902. Leis, Decretos e Actos, 1902 a 1906. op. cit. p.27-30.
6Relatorio da Secção Technica, de 20 de Setembro de 1900 a 20 de Setembro de 1904. Annaes da Camara Municipal, Sessões de 21 de Setembro de 1904 a 11 de julho de 1905. Curyriba: Typ. d’A Republica, 1905. p.12-14.
7Lei Municipal n.° 117, de 8 de outubro de 1903. Leis, Decretos e Actos, 1902 a 1906. op. cit. p.80-81.
8Lei Municipal n.° 768, de 27 de maio de 1929. Leis, Resoluções, Decretos e Atos de 1929. Curitiba: Impressora Paranaense, 1939. p.10-14.
9Lei Estadual n.° 506, de 2 de abril de 1903, autoriza o Governo estadual a contractar o serviço de exgottos e de abastecimento d’agua para a cidade de Curytiba.
10SCHUSTER. Zair Lorival. SANEPAR ANO 30. Resgate da memória e do saneamento básico do Paraná. Curitiba: Fundação SANEPAR
11Lei Municipal n.° 142, de 11 de outubro de 1905. Leis, Decretos e Actos, 1902 a 1906. op. cit. p.115-116.
12Lei Municipal n.° 151, 26 de outubro de 1905. Leis, Decretos e Actos, 1902 a 1906. op. cit. p.122-123.
13Lei Municipal n.° 175, 26 de abril de 1906. Leis, Decretos e Actos, 1902 a 1906. op. cit. p.148.
14Relatorio da Secção Technica, de 20 de Setembro de 1900 a 20 de Setembro de 1904. Annaes da Camara Municipal, Sessões de 21 de Setembro de 1904 a 11 de julho de 1905. Curytiba: Typ. d’A Republica, 1905. p.12-14.
15Relatorio de Joaquim P. Chichorro Junior Secretario dos Negocios de Obras Publicas e Colonização, ao Presidente do Paraná, Dr. Francisco Xavier da Silva, em 31 de Dezembro de 1909. Curytiba: Typ. d’A Republica, p.27-29.
16Relatorio de José Niepce da Silva Secretario dos Negocios de Obras Publicas e Colonização, ao Presidente do Paraná, Carlos Cavalcanti, em 31 de dezembro de 1912, Curytiba: Typ. Alfredo Hoffmann, 1910. p.34-35.
17Decreto Municipal n.° 66, 4 de julho de 1913. Leis, Decretos e Actos da Camara Municipal de Coritiba de 1913 e Orçamento para 1914.
18Mensagem do Presidente do Estado Carlos Cavalcanti de Albuquerque, ao Congresso Legislativo do Parana ao installar-se a 1ª Sessão da 12ª Legislatura em 1° de Fevereiro de 1914. Curityba: Typ. do Diario Official, 1914. p.25-26.
19Leis Municipais n.os361, 391, 371 e 404. Leis, Decretos e Actos da Camara Municipal de 1914 e Orçamento para 1915. op. cit.
20Lei Municipal n.° 358, de 31 de janeiro de 1913. Leis, Decretos e Actos da Camara Municipal de 1913 e Orçamento para 1914. op. cit. p.5. O concurso é vencido por José Celestino de Oliveira, de acordo com o Decreto Municipal n.° 83, de 28 de maio de 1914, que determina a abertura de credito de Rs 5:000$000 para o pagamento. Annaes da Camara Municipal. Sessões de 15 de Outubro de 1913 á 24 de Julho de 1914. Coritiba: Typ. d’A Republica, 1914. p.15-16.
21Mensagem do Presidente do Paraná, Carlos Cavalcanti, ao Congresso Legislativo do Parana em 1° de Fevereiro de 1914. Curityba: Typ. do Diario Official, 1914. p. 26.
22Relatorio da Commissão de Melhoramentos, em 15 de abril de 1914. Annaes da Camara Municipal. Sessões de 15 de Outubro de 1913 á 24 de Julho de 1914. Coritiba: Typ. d’A Republica, 1914. p.136.
23LAMBERT, E. op. cit. p.61.
24Idem, p.222.
25Idem, p.56.
26Idem, p.62.
27Idem, p.60.
28Mensagem dirigida a Camara Municipal pelo Prefeito João Moreira Garces, na 7ª Legislatura, em 15 de Abril de 1920. Curityba: Typ. d’A Republica, 1920. p.36.
29Mensagem dirigida a Camara Municipal pelo Prefeito João Moreira Garces, na 8ª legislatura em 15 de abril de 1923. Curytiba: Tip.d’ A republica, 1923. p. 84.
30Mensagem dirigida a Camara Municipal pelo Prefeito João Moreira Garces, na 8ª legislatura em 15 de abril de 1923. Curytiba: Tip.d’ A republica, 1923. p. 84.
31Mensagem dirigida a Camara Municipal pelo Prefeito João Moreira Garces, na ª 1ª legislatura 15 de abril de 1920. Curytiba: Tip.d’ A republica, 1920, p. 34.
32Mensagem dirigida a Camara Municipal pelo Prefeito João Moreira Garces, na 8ª legislatura em 15 de abril de 1923. Curytiba: Tip.d’ A republica, 1923.
33ILLUSTRAÇÃO PARANAENSE. Curityba: anno 4, n. 3, mar. 1930.p. 30.
34Mensagem dirigida a Camara Municipal pelo Prefeito Euride Cunha, em 15 de abril de 1928. Curytiba: Tip.d’ A republica, p. 120.
35Mensagem dirigida a Camara Municipal pelo Prefeito Euride Cunha, em 15 de abril de 1928. Curytiba: Tip.d’ A republica, p.19.
36ANUARIO PROPAGANDISTA SUL DO BRASIL. FUNDADO EM 1929, Moderno indicador de utilidade diaria, ampla circulação em todo paiz. Curitiba: Impressora Paranaense, 1935, p. 124.
37Relatorio do prefeito de Curitiba Lothario Meissner ao Interventor Federal no Estado do Paraná Manoel Ribas, referente ao exercício de 1932. Curitiba: fevereiro de 1933. p.142.
38ANUARIO PROPAGANDISTA SUL DO BRASIL. FUNDADO EM 1929, Moderno indicador de utilidade diaria, ampla circulação em todo paiz. Curitiba: Impressora Paranaense, 1932, p.106.
39ANUARIO PROPAGANDISTA SUL DO BRASIL. FUNDADO EM 1929, Moderno indicador de utilidade diaria, ampla circulação em todo paiz. Curitiba: Impressora Paranaense. 1932, p.23
40ANUARIO PROPAGANDISTA SUL DO BRASIL. FUNDADO EM 1929, Moderno indicador de utilidade diaria, ampla circulação em todo paiz. Curitiba: Impressora Paranaense. 1932. P.115.
41SHUSTER. Zair. Sanepar ano 30. Curitiba, SANEPAR, 1994. p. 130.
42Relatorio do prefeito de Curitiba Lothario Meissner ao Interventor Federal no Estado do Paraná Manoel Ribas, referente ao exercício de 1932. Curitiba, fevereiro de 1933 p.144-145.
43Relatorio do prefeito de Curitiba Lothario Meissner ao Interventor Federal no Estado do Paraná Manoel Ribas, referente ao exercício de 1934. Curitiba, fevereiro de 1935. p.5.
44Relatorio do prefeito de Curitiba Lothario Meissner ao Interventor Federal no Estado do Paraná Manoel Ribas, referente ao exercício de 1934. Curitiba, fevereiro de 1935. p. 42-43.
45Relatorio do prefeito de Curitiba Lothario Meissner ao Interventor Federal no Estado do Paraná Manoel Ribas, no exercício de 1932. Fevereiro de 1933, p.36.
46Relatorio do prefeito de Curitiba Lothario Meissner ao Interventor Federal no Estado do Paraná Manoel Ribas, no exercício de 1932. Fevereiro de 1933, p.36.
47Plano de Urbanização de Curitiba. In: PREFEITURA MUNICIPAL DE CURITIBA. Boletim PMC. Ano II, n.12. Curitiba: Nov.dez. Imprensa Gráfica Paranaense. 1942 p.10.
48Plano de Urbanização de Curitiba. In: PREFEITURA MUNICIPAL DE CURITIBA. Boletim PMC. Ano II, n.12. Curitiba: Imprensa Gráfica Paranaense, Nov.dez. 1942. p.8.
49Plano de Urbanização de Curitiba. In: PREFEITURA MUNICIPAL DE CURITIBA. Boletim PMC. Ano II, n.12. Curitiba: Nov.dez. 1942. p.8.
50Curitiba. Boletim da PMC. Ano I, nº 3. Mai. jun de 1942.p. 98
51Curitiba. Boletim da PMC. Ano II, nº 7. Jan. fev. de 1943. P.78
52Plano de Urbanização de Curitiba. In: PREFEITURA MUNICIPAL DE CURITIBA. Boletim PMC. Ano II, n.12. Curitiba: Nov.dez.1942, Imprensa Gráfica Paranaense. p.10.
Teatro Hauer em 1913. Nesta data o Hauerjá tinha presenciado dois fatos da história paranaense: a primeira sessão de cinema e o surgimento do primeiro clube de futebol. Este prédio foi construído no final do século XIX.Prédio do antigo Teatro Hauer em fevereiro de 2010. Nos primeiros anos do século XXI o edifício faz parte de uma igreja evangélica.
Theatro Hauer em Curitiba em 1913.JPGPrédio do antigo theatro Hauer na Mateus Leme com Treze de maio.JPG

OS BONDES DE CURITIBA


Allen Morrison
texto traduzido ao português por
Mauricio R. Ortega
Curitiba é a capital do estado do Paraná e se situa ao sul de São Paulo (Paraná também é o nome de uma cidade da Argentina e de um rio que nasce no Brasil e deságua na Argentina). A cidade de Curitiba está a 932 m de altitude e se situa a aproximadamente 100 km do Oceano Atlântico, onde se localiza o porto de Paranaguá. É a única capital do Brasil sujeita a precipitação de neve. Sua população era de aproximadamente 40.000 habitantes em 1900, 300.000 em 1950 e gira ao redor de 1,8 milhões hoje.
O desenvolvimento dos bondes foi assumido por empresas estrangeiras. O brasileiro Boaventura Clapp adquiriu em 1883 a concessão para construir uma linha férrea urbana e fundou a Empresa Ferro Carril Curitybano. A EFCC inaugurou sua primeira linha a partir da estação ferroviária da Avenida 7 de Setembro até o Batel, em 8 de Novembro de 1887 (a ferrovia de trens a vapor de Paranaguá havia chegado em 1885). Clapp vendeu a EFCC em 1895 para a Amazonas & Companhia, que era controlada pelo italiano Santiago Colle. Quando este bilhete foi emitido na década de 1890 existiam 20 carros operando em 18 km de trilhos [Julio Meili, Das Brasilianische Geldwesen, vol. 3, Zürich, 1903]:

A fotografia abaixo é mencionada como sendo da inauguração em 1887. Mas isto não pode estar correto, pois: (1) o bonde indica “FONTANA”, que não foi a primeira linha percorrida ; (2) o veículo aparenta ser usado; (3) mulheres não usavam cabelos penteados no estilo “pompadour” até a década de 1890. Esta fotografia foi tirada na década de 1890 ou no início da década de 1900 [Prefeitura Municipal de Curitiba. Roteiro da Cidade: Do bonde de mula ao ônibus expresso. Curitiba, 1973, p. 7; reproduzido com permissão]:

Uma outra fotografia de data desconhecida é mostrada aqui de um bonde sem número de identificação da extensão da linha Batel para o Seminário. O padrão de bitola entre os trilhos da EFCC era muito estreito, 700 mm [col. Cid Destefani]:

Este cartão postal é de aproximadamente 1900 e nele vemos o bonde 5 da EFCC. O Grande Hotel era localizado na esquina das Ruas 15 de Novembro e Barão do Rio Branco . Note os homens no telhado [col. AM]:

Em 1910 Colle vendeu a EFCC para o francês Eduardo de la Fontaine Laveleye, que foi um dos fundadores da South Brazilian Railways em Londres. A nova companhia anglo-francesa assumiu a operação dos bondes de Curitiba e contratou a Brown, Boveri & Cie em Baden, Suíça, para a eletrificação. Em 1911 a SBR encomendou 29 bondes elétricos da Les Ateliers Métallurgiques em Nivelles, Bélgica. Eram modelos conversíveis, com laterais removíveis, sem igual no Brasil [col. AM]:

Os novos bondes chegaram em Paranaguá em Abril de 1912 e começaram a ser testados em Curitiba no mês de Agosto seguinte. O veículo abaixo está configurado no modo jardinière (verão) [col. AM]:

O serviço de bondes elétricos de Curitiba foi inaugurado pela SBR em Janeiro de 1913. Os novos veículos elétricos belgas possuíam alavancas de roldana de contato para captação de corrente elétrica com suporte giratório para alcançar os fios distantes e suspensos ao longo das laterais das ruas, um arranjo que era único na América do Sul. Aqui é o ponto final da linha Portão em 1914 aproximadamente. A bitola entre os trilhos era de um metro [col. AM]:

Este bonde Belga da linha Bacacheri foi fotografado em 1916 na Av. João Gualberto no outro lado da cidade [col. Cid Destefani]:

O município assumiu a South Brazilian Railways em 1924 e em 1928 as concessões de energia elétrica e dos bondes passaram para a Companhia Força e Luz do Paraná, subsidiária do conglomerado norte-americano Electric Bond & Share. A fotografia abaixo foi tirada ao redor de 1928 na Praça Osório. O bonde indica “SIQUEIRA CAMPOS" (antigo nome na Av. Batel) [col. Cid Destefani]:

Os novos proprietários norte-americanos colocaram números de identificação nos bondes belgas pela primeira vez. Este é o CFLP 25 da linha Trajano Reis por volta de 1932 [col. Cid Destefani]:

Em 1931 a CFLP importou 20 bondes "Birney" de segunda mão de Boston, EUA, que foram construídos por J. G. Brill na Philadelphia em 1920. Em 1937 foram transferidos 10 bondes Birney da frota de Porto Alegre para Curitiba que tinham sido construídos por Brill para Baltimore em 1921. As armações das rodas de todos os 30 bondes tiveram que ser reconstruídas para o padrão de bitola de Curitiba. O número 102, abaixo, do grupo de Boston, foi fotografado na Praça Generoso Marques (onde a Rua Riachuelo encontra a Rua Barão do Rio Branco [col. AM]:

Dois bondes Birney trafegam na Praça Tiradentes em 1934. A vista é noroeste [col. Cid Destefani]:

Em 1945 a CFLP vendeu seus 38 bondes de passageiros e 28 km de trilhos para uma nova agencia municipal, a Companhia Curitibana de Transportes Coletivos. Esta fotografia de um moderno carro, provavelmente um Birney remodelado, foi tirada em 1951 [E. C. Piercy]:

Curitiba cresceu rapidamente a partir das décadas de 1930 e 40, mas não modernizou seu sistema de bondes. Uma rede primitiva de trilhos de via única com carros de 2 eixos, todos envelhecidos por décadas, não era adequado e não se manteriam por muito mais tempo. A CCTC começou a trocar os bondes por ônibus durante a Segunda Guerra: primeiro na linha Batel, depois Bacacheri, depois Guabirotuba, depois Trajano Reis. Perto de 1952 restava somente este serviço no Portão. A fotografia abaixo mostra uma das últimas viagens – quem sabe a última? – na Av. República Argentina [col. Cid Destefani]:

 A linha Portão com veículos Birney encerrou as atividades de bondes em Curitiba em Junho de 1952. Curitiba foi uma das primeiras capitais brasileiras a encerrar seus sistemas de bondes (Belém e Fortaleza já haviam encerrado suas linhas em 1947).
 Os bondes belgas aparentemente desapareceram, mas o bonde Birney 110 de algum modo sobreviveu nos fundos de uma garagem na Rua Barão do Rio Branco – local de uma oficina mecânica. Ele foi restaurado e colocado na Praça Tiradentes como decoração em novembro de 1999. A fotografia abaixo foi tirada em Janeiro de 2002. O logotipo da “CFLP” está exposto e legível na lateral do carro [Sergio Martire]:

Infelizmente, o bonde 110 foi removido da Praça Tiradentes em 2003 e agora está em um depósito. O mais famoso bonde atual de Curitiba é um veículo construído para Santos, numero 206, que foi levado para Curitiba em 1973 e tem estado exposto por três décadas na Rua 15 de Novembro. [Uma fotografia na página The Tramways of Santos mostra bonde idêntico, 280]. O “Bondinho da Rua XV” serviu para vários propósitos em Curitiba e no presente é um local de informações para visitantes [Antonio Gorni]:

Rua 15 de Novembro em um dia gelado de 1980 [cartão postal, col. AM]:

Curitiba é famosa entre os planejadores e pesquisadores de transporte das cidades do mundo pelo pioneirismo em implantar vias reservadas para sistemas de ônibus. Graças ao esforço na década de 1960 do curitibano arquiteto-prefeito-governador Jaime Lerner, Curitiba implantou a rede de vias para ônibus expressos em 1974 que serviu como modelo para redes de vias reservadas em São Paulo e outras cidades brasileiras na década de 1980, a via reservada para sistema de ônibus elétrico em Quito, Equador, em 1995, e o sistema expresso de ônibus TransMilenio que foi inaugurado em Bogotá, Colômbia, em 2000. Em 1996 a Conferência das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (Habitat II) elogiou Curitiba como “a mais inovadora cidade do mundo”. Ao longo dos anos houve várias tentativas para dotar as vias de ônibus de Curitiba com veículo elétrico leve sobre trilhos (light rail), monotrilho, linha ferroviária suburbana elétrica (heavy rail) ou metrô [ver referencias abaixo]. Porem até hoje as canaletas exclusivas são ainda usadas por ônibus diesel.

BIBLIOGRAFIA
(por ordem de publicação)

Artigo de informação sem título. Brazil-Ferro-Carril (Rio de Janeiro), 3/1911. Chegada a Paranaguá de Nova York do "material destinado à eletrificação dos bondes de Curityba".

 Artigo de informação sem título. Brazil-Ferro-Carril (Rio e Janeiro), 4/1911. Chegada a Paranaguá da Europa dos bondes e 714 outras caixas de material elétrico para a South Brazilian Railway Co. Ltd.
 Câmara de Comércio Britânica de São Paulo & Sul do Brasil. The State of Paraná: An Official Handbook. São Paulo, 1930. Breve descrição dos bondes de Curitiba, pp. 98-99.
 Livro Azul - Guia Azul. Curitiba, 1935. Folheto de mapa de arruamento mostrando o sistema de bondes em detalhes.
 Prefeitura Municipal de Curitiba. Roteiro da Cidade: do bonde de mula ao ônibus expresso. Curitiba, 1975. Livreto de 36 páginas que descreve a história dos transportes da cidade, dos bondes de mulas aos ônibus expressos em vias isoladas. Oito fotografias grandes de bondes e ônibus.
 "Nas vias do expresso, o bonde de mula" em O Estado do Paraná (Curitiba), 29/3/1980, p. 14. História dos bondes de Curitiba em página inteira. Quatorze ilustrações.
 "O transporte de massa, do bonde ao articulado" em O Estado do Paraná (Curitiba), 2/11/1980. Longa história do transporte urbano de Curitiba em meia página.
 "Os bondes de Curitiba" em Isto É (São Paulo), 4/8/1982. Artigo em página inteira sobre os planos para veículo elétrico leve sobre trilhos (light rail) em Curitiba. Fotografia do Birney na década de 1940.
 Waldemar Corrêa Stiel. História do Transporte Urbano no Brasil. Brasília, 1984. Capítulo sobre Curitiba, pp. 102-115, descreve a história dos sistemas de bondes e ônibus da cidade. Onze ilustrações.
 "À espera do bonde (e do dinheiro)" em Revista Ferroviária (Rio de Janeiro), 4/1989, pp. 30 & 32. Longo artigo sobre o projeto de veículo elétrico leve sobre trilhos (light rail) em Curitiba. Mapa, diagrama do veículo e foto do Prefeito Jaime Lerner.
 "Obras do metrô começam no ano 2000" na Gazeta do Povo (Curitiba), 3/9/1998. Longo artigo sobre os planos para 15 km de linha ferroviária suburbana elétrica (heavy rail); previa que a construção começaria em 2000.
 Engenharia Viária: Estudos para a implantação do metrô de Curitiba (monorail). Descrição do projeto mono-trilho Esteio, 1999.
 Curitiba poderá ter metrô leve nas canaletas de ônibus. Plano para construir linhas para veículo elétrico leve sobre trilhos (light rail) nas canaletas dos ônibus expressos, 2003.
 Bondes podem voltar a circular em Curitiba. Artigo de jornal sobre um plano de instalar uma linha de bonde turístico no centro da cidade, passando por locais e prédios históricos. Mapa e comentários dos leitores.
 Adicionalmente a sua tradução para o Português do meu texto original em Inglês, agradeço ao Mauricio R. Ortega, morador de Curitiba, pela identificação de alguns locais mostrados nas fotografias desta página.
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